
O Brasil enfrentou 753,8 bilhões de tentativas de ataque cibernético em 2025 — 84% de todas as investidas registradas na América Latina, segundo o relatório Cenário Global de Ameaças 2026 da Fortinet. Em média, 1.379 tentativas de ataque chegam por minuto às organizações brasileiras, segundo STRATi. Mas não é só a escala que impressiona: a forma como esses ataques chegam mudou para sempre.
Se em 2025 os grandes vilões eram ransomware e phishing, em 2026 os protagonistas são os agentes de IA que exploram APIs corporativas legítimas e infraestruturas em nuvem mal configuradas. O inimigo não quebra mais a porta: ele entra pela janela que a própria empresa deixou aberta.
O caso mais emblemático desse novo cenário é o backdoor GoGra, documentado por equipes de segurança internacionais. Desenvolvido por um grupo de ciberespionagem estatal, GoGra não procura vulnerabilidades zero-day. Ele usa a própria Microsoft Graph API — a interface que milhares de empresas brasileiras utilizam para integrar e-mail, arquivos e colaboração no Microsoft 365 — como canal de comando e controle.
O truque? O malware obtém tokens OAuth2 usando credenciais do Azure Active Directory e, em seguida, comunica-se por meio de caixas de e-mail do Outlook. O tráfego parece uma reunião corporativa. Os firewalls não reagem, porque não há nada para bloquear.
Esse padrão — abuse of legitimate services, como os especialistas chamam — já não é exceção. Em fevereiro de 2026, organizações brasileiras registraram uma média de 3.736 ataques cibernéticos por semana, um salto de 37% em relação ao mesmo período de 2025, segundo Check Point Research. A maioria desses ataques explora credenciais comprometidas, APIs mal protegidas e ambientes de cloud com políticas genéricas.
Se a técnica evoluiu, o modus operandi do ransomware se tornou previsível: crime como serviço. O Brasil já lidera a América Latina com 99 ataques de ransomware confirmados em 2026, e 73% das empresas brasileiras afirmam já ter sido vítima, segundo pesquisa da Sophos.
Os dados são contundentes:
| Indicador | Valor | Fonte |
|---|
|—|—|—|
| Ataques em 2025 | 753,8 bilhões | Fortinet |
|---|---|---|
| Crescimento H1 2025 | +25% | SonicWall |
| Ataques por organização/semana (fev/2026) | 3.736 | Check Point |
| Brasil no ranking global | #9 | VIVA Security |
Mas não é só volume. Os grupos agora oferecem suporte ao vivo, painéis de administração e até garantia de confidencialidade — um verdadeiro marketplace underground. O ransomware deixou de ser um ataque para ser uma solução como serviço. E as empresas brasileiras, muitas vezes, ainda respondem com firewalls desatualizados e antivírus de década passada.
Diante desse cenário, reuni ao longo da semana dados de especialistas (Microsoft, STRATi, iTProtect, Sophos) para montar um roteiro prático. Não é preciso começar do zero — existem quatro pilares que qualquer empresa pode montar agora:
Esqueça a ideia de rede confiável por dentro. Zero Trust significa verificar tudo, confiar em nada. Na prática:
A Microsoft publicou diretrizes claras: o ponto de inflexão não é a tecnologia, mas a mudança de cultura. Confiar em dispositivos não basta; é preciso confiar em identidades verificadas.
Um relatório da STRATi mostra que 90% das invasões bem-sucedadas passam mais de 100 dias sem serem detectadas. A diferença entre um incidente contido e um desastre está na capacidade de monitorar 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Para empresas que não têm equipe interna, a gestão terceirizada de segurança (MSSP) é hoje a via mais rápida. Provedores como a Get Smart oferecem:
“Ter backup não é mais suficiente” — frase que ouvi de várias fontes, incluindo a SonicWall. Os novos ransomware criptografam e excluem réplicas. A proteção exige:
A maioria dos grandes vazamentos de 2026 teve a mesma causa: buckets S3 ou configurações do Azure deixados públicos. Ferramentas de CSPM (Cloud Security Posture Management) e CASB (Cloud Access Security Broker) identificam essas exposições antes que se tornem notícias.
Enquanto as ameaças evoluem, o mercado de cibersegurança brasileiro cresce. Projeções apontam que o segmento moverá US$ 4,05 bilhões em 2026, subindo para US$ 6,56 bilhões em 2031. Globalmente, o gasto em cibersegurança ultrapassou US$ 300 bilhões em 2026.
Mas não é um investimento que paga devagar. Um estudo da PwC mostra que organizações com maturidade Zero Trust reduzem em 50% o risco de violação, com ROI de 92% em três anos. E o custo de um ataque bem-sucedado — em média US$ 1,36 milhões no Brasil — paga por toda a estratégia de uma só.
O cenário de 2026 é claro: cibersegurança não é mais um capítulo de compliance. É fator de sobrevivência e diferencial competitivo. Empresas que adotam Zero Trust, monitoramento 24×7 e recuperação testada não apenas se protegem — elas se preparam para escalar com confiança.
Na Get Smart IT Solutions, ajudamos organizações a construir essa resiliência. Da avaliação de riscos à implementação de SOC gerenciado, passando por adequação à LGPD e recuperação de desastres, oferecemos a pilha completa de proteção — sem burocracia, sem fórmulas prontas.
Porque em um mundo onde o inimigo usa IA e APIs legítimas, a melhor defesa é uma estratégia que pensa como um atacante — e responde como um especialista.
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1. Fortinet — Relatório “Cenário Global de Ameaças 2026” (FortiGuard Labs). Disponível em: https://itforum.com.br/noticias/brasil-ataques-fortinet/
2. Check Point Research — “Ransomware no Brasil: os Dados de 2026 que Assustam”. Disponível em: https://www.strongsecurity.com.br/blog/ransomware-no-brasil-os-dados-de-2026-que-assustam/
3. SonicWall — Relatório de Ransomware 2025. Disponível em: https://valor.globo.com/patrocinado/pressworks/noticia/2026/06/09/brasil-registra-aumento-de-25-nos-ataques-de-ransomware-e-empresas-enfrentam-lacanas-criticas-em-planos-de-recuperacao-1.ghtml
4. Sophos — Pesquisa “Sete em cada dez empresas já sofreram ransomware”. Disponível em: https://www.sophos.com/pt-br/cybersecurity-explained
5. STRATi — “Segurança da informação para empresas: Brasil sofre 1.379 ataques por minuto”. Disponível em: https://strati.com.br/seguranca-da-informacao-para-empresas-ataques-ciberneticos-no-brasil/
6. Microsoft Learn — “Implementar infraestrutura de prevenção e recuperação de violações de segurança”. Disponível em: https://learn.microsoft.com/pt-br/security/zero-trust/adopt/prevent-reduce-business-damage-breach-infrastructure
7. iTProtect — “MSSP: Segurança gerenciada para sua empresa”. Disponível em: https://www.itprotect.com.br/monitoramento/mssp-o-que-e-e-como-um-provedor-de-seguranca-gerenciada-pode-proteger-sua-empresa-2/
8. TI INSIDE Online — “Ataques de ransomware atingem maior volume dos últimos 12 meses”. Disponível em: https://tiinside.com.br/13/08/2026/ataques-de-ransomware-atingem-maior-volume-dos-ultimos-12-meses/
9. Cyber Security Brazil — Relatório de segurança e previsões para 2026. Disponível em: https://www.cybersecbrazil.com.br/post/cyber-security-brazil-relatorio-de-seguranca-e-previsoes-para-2026
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