
Por Francisco Neto, CEO da Get Smart IT Solutions
O cenário de cibersegurança brasileiro nunca foi tão volátil. Em 2026, dois fatores se tornaram decisivos para a sobrevivência digital das organizações: a influência geopolítica nas estratégias de proteção e a sofisticação técnica das ameaças, que agora usam APIs corporativas legítimas para burlar defesas tradicionais.
Dados da PwC (Global Digital Trust Insights 2026) mostram que 66% dos líderes de negócios e tecnologia no Brasil aumentaram investimentos em cibersegurança em resposta direta às tensões geopolíticas globais. Outro levantamento aponta que 64% das empresas percebem aumento no risco de ciberataques exatamente por causa dessa instabilidade internacional.
Para o mercado brasileiro, isso tem uma consequência prática: a segurança deixou de ser uma questão técnica para ser um pilar de governança. Quem ainda tratava cibersegurança como custo operacional agora precisa encará-la como diferencial competitivo.
A ANPD também elevou o jogo. Com a MP 1317/2025, a fiscalização se intensificou e a LGPD deixou de ser uma obrigação formal para ser um motor de investimento. Empresas de segurança projetam crescimento expressivo nos próximos anos — o setor deve saltar de receitas significativas em 2026 para patamares ainda maiores em 2027.
Enquanto o cenário geopolítico redefine prioridades, os atacantes inovam em técnicas. Um exemplo que merece atenção é o malware GoGra: um backdoor desenvolvido por um grupo de ciberespionagem estatal que agora possui versão para Linux e utiliza a Microsoft Graph API para se comunicar com servidores de comando e controle.
O que torna essa ameaça perigosa? O tráfego do malware aparenta ser comunicação legítima do Microsoft Graph, burlando controles de segurança de rede tradicionais. O backdoor usa credenciais hardcoded do Azure Active Directory para obter tokens OAuth2 e, em seguida, caixas de e-mail do Outlook como canal secreto.
Para empresas brasileiras que operam com ambientes híbridos (Windows + Linux) ou usam Microsoft 365 extensivamente, essa técnica representa um risco concreto. O ataque não precisa de vulnerabilidades zero-day — ele explora a própria infraestrutura de integração que as empresas já dependem.
Diante desse cenário, as organizações brasileiras precisam adotar uma postura mais madura. Aqui estão os eixos prioritários:
1. Zero Trust como prática, não como slogan
A identidade se consolidou como o novo perímetro de segurança. Em vez de confiar em dispositivos ou redes internas, a verificação contínua de identidades e permissões deve ser a regra:
2. Resiliência operacional além do backup
Ter backup não é mais suficiente. A recuperação de desastres precisa ser testada regularmente e incluir cenários de ransomware e destruição de dados. O mercado brasileiro já percebe isso: empresas de diferentes portes investem em soluções de DR com ambientes de nuvem isolados e réplicas imutáveis.
3. Governança alinhada ao negócio
A cibersegurança deve ser tratada como risco de negócio, não técnico. Isso exige relatórios em linguagem executiva, integração entre CISO, CIO e diretoria, e políticas que considerem a cadeia de valor — fornecedores, clientes, parceiros.
4. Parceria com especialistas
Para empresas sem equipes internas robustas, a terceirização especializada deixou de ser uma opção de custo para ser uma estratégia de aceleração. Consultorias em segurança oferecem metodologias validadas, conhecimento regulatório e resposta a incidentes.
Cada investimento em segurança deve responder a três perguntas:
1. Estamos protegendo o que realmente importa para o negócio?
2. Conseguimos detectar uma ameaça antes que ela cause dano?
3. Sabemos recuperar operações em tempo hábil após um incidente?
Se a resposta para alguma dessas perguntas for “não” ou “não tenho certeza”, há espaço para melhorar — e 2026 é o momento de agir.
O Brasil vive uma transformação digital acelerada, e a cibersegurança é o alicerce que a sustenta. Empresas que combinarem geopolítica como lente estratégica, tecnologia como ferramenta e governança como pilar estarão mais preparadas para os desafios que vêm por aí.
Na Get Smart IT Solutions, ajudamos organizações a construir essa resiliência através de consultoria em segurança da informação, gestão de riscos, adequação à LGPD e infraestrutura segura. Porque em um mundo de ameaças híbridas, a melhor defesa é uma estratégia integrada.
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