
A SPX Capital investiu até R$ 400 milhões na Vision, spinoff da ISH Tecnologia. O objetivo é consolidar o mercado de cibersegurança brasileiro, que continua pulverizado.
O aporte é majoritariamente primário e será feito em tranches: R$ 200 milhões de imediato, e o restante conforme surgirem oportunidades de aquisição.
A gestora assume o controle da Vision, com mais de 50% do capital. Os fundadores Rodrigo Dessaune e Armsthon Zanelato permanecem como acionistas e executivos — Dessaune na presidência do conselho.
O movimento chega em um momento em que os orçamentos de cybersecurity começam a ser reavaliados para 2026.
Depois de anos de crescimento modesto — em 2025 os budgets subiram só 4% em média, metade da média histórica —, as ameaças impulsionadas por IA estão devolvendo a segurança digital à pauta prioritária dos conselhos.
Em 15 de janeiro de 2026, a SPX Capital confirmou o aporte de até R$ 400 milhões na Vision — empresa de cibersegurança nascida como spinoff da ISH Tecnologia, com sede no Espírito Santo.
Assim, o recurso vai financiar uma estratégia de fusões e aquisições para reduzir a fragmentação do setor no Brasil.
Na prática, a operação segue um cronograma em tranches: R$ 200 milhões entram de imediato no caixa da Vision, e a SPX libera o restante conforme surgem oportunidades de aquisição.
Com o investimento, a SPX assume o controle, com mais de 50% do capital. Ainda assim, os fundadores Rodrigo Dessaune e Armsthon Zanelato continuam como acionistas e executivos — Dessaune como chairman.
O mercado de cibersegurança brasileiro cresceu de forma orgânica nos últimos anos, mas permanece pulverizado.
Por um lado, as Big 4 e a Accenture dominam a ponta alta do mercado de consultoria e serviços integrados. Por outro lado, dezenas de pequenos e médios players competem por contratos regionais, muitas vezes sem capacidade de investir em plataformas próprias ou em pesquisa e desenvolvimento.
A ISH Tecnologia, fundada há mais de 30 anos, construiu sua reputação atendendo principalmente o setor público. Por isso, quando decidiu separar as operações, criou a Vision para concentrar o atendimento ao mercado privado.
De fato, esse segmento tem previsibilidade de receita maior, já que o setor público sofre rupturas orçamentárias frequentes. No ano passado, o mercado privado já respondia por cerca de 80% da receita da ISH.
A entrada da SPX, um dos maiores fundos de private equity do Brasil, sinaliza que o setor atingiu uma maturidade que justifica operações de grande escala.
Ainda em 2023, o fundo da SPX levantou cerca de R$ 1 bilhão em capital, e a Vision é apenas seu segundo investimento. Assim, isso sugere que a tese de consolidação em cybersecurity deve continuar recebendo recursos.
Para empresas de tecnologia, a notícia valida duas tendências que já vinham se desenhando.
A primeira é a terceirização de serviços de cibersegurança como estratégia, não mais como opção de emergência.
Os serviços gerenciados — como os oferecidos pela Vision — combinam monitoramento contínuo, detecção de ameaças e resposta a incidentes. Isso permite que empresas sem equipes internas robustas mantenham um nível de proteção compatível com os riscos atuais.
A segunda é a profissionalização acelerada do mercado. A entrada de um fundo de private equity de R$ 1 bilhão com uma tese explícita de M&A deve acelerar a saída de players pequenos e a profissionalização dos médios.
Para clientes, isso pode significar menos fornecedores, porém mais maduros. Para concorrentes, significa que o ritmo de investimento em tecnologia e talento terá que aumentar para acompanhar a nova referência de escala.
No plano macro, os orçamentos de cybersecurity em 2026 devem crescer entre 5% e 10% na maior parte das empresas globais. Uma parcela menor prevê aumentos acima de 10%.
No Brasil, o mercado como um todo deve crescer quase 10% ao ano até 2031. Os serviços gerenciados, em particular, devem expandir a 14,53% de CAGR — ritmo mais acelerado do que o mercado geral. Isso indica que a terceirização é o segmento que mais cresce.
A notícia tem implicações diretas para três perfis de público da Get Smart.
Para empresas de médio porte que ainda tratam cibersegurança como um custo secundário, o movimento da SPX é um aviso. O mercado está profissionalizando, e a assimetria entre quem tem serviços gerenciados e quem depende de equipes internas enxutas está aumentando.
A diferença entre um provedor de serviços básico e um com plataforma própria de detecção e resposta — como a Harpia — é exatamente o tipo de gap que um investimento de R$ 400 milhões visa eliminar.
Para empresas de tecnologia e consultoria, a consolidação cria um ambiente mais previsível. Novos acordos, parcerias e integrações devem ficar mais fáceis quando há menos players fragmentados.
Por outro lado, as margens podem sofrer pressão à medida que a concorrência se concentra em menos operadores, porém maiores.
Para a Get Smart IT Solutions, o cenário reforça a relevância de posicionar a cibersegurança como parte de uma oferta integrada de gestão de TI, infraestrutura e conformidade.
O mercado está sinalizando que segurança não é mais um serviço isolado. É um pilar da transformação digital, com orçamento próprio, métricas de negócio e pressão crescente por resultados mensuráveis.
O investimento da SPX na Vision não é apenas mais uma operação de private equity. É um indicador de que o mercado brasileiro de cibersegurança está deixando a fase artesanal para entrar em uma fase industrial: plataformas próprias, escala, M&A e orçamentos de centenas de milhões de reais.
Para as empresas que ainda não fizeram a conta de quanto gastam — e de quanto deixam de gastar — com ciberataques, esse movimento serve como referência: o custo de esperar pode ser maior do que o custo de investir.
Alto. Fontes primárias e jornalísticas de referência respaldam os fatos centrais. Além disso, as projeções de mercado são consistentes entre si e compartilham a mesma tendência de crescimento.
Os dados de orçamento complementam a análise sem conflitar. A única ressalva é que a SPX ainda não divulgou publicamente o valor exato da participação nem a lista de alvos de M&A.
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